terça-feira, 26 de novembro de 2013




                a interdição de entrada dentro da grande cabana. casa de espíritos. negro. tribal. a escuridão em cada passo. danças xamânicas de loucura. êxtase terreno. sopro de fogo. veneno de negridão. o enevoar. memórias. visões de delírio. loucura elevada a ontologia. a quebra com uma realidade. a aceitação de outra. vem. entra na casa dos espíritos. na floresta de negridão onírica. gritos. o baque seco dos tambores. o aumento da frequência. a fogueira. dança ébria. e os espíritos. dentro da grande velha casa. dentro da grande cabana velha. redemoinhando. em cores místicas. psicotrópicos rudimentares. e a fogueira. a florestação. o ribombar. gritos étnicos. abertos. ecoando pela velha floresta. dentro de nós. a dormência. um marasmo interminável. flutuar. perpassando toda a floresta. a fogueira alta. alcançando as estrelas. os cantos de entoação lunar. a fogueira. a aparência de um infinito. confuso. sonho. até à casa dos espíritos. tudo o que é. afluindo. convergindo para a casa. a dos espíritos. a do mudo grito primordial. o xamã. face do silêncio. recitando versos de morte. recitando versos. até à exaustão delirante. até ser tudo o que há ser morte. ela própria. até à morte anunciada. final. conclusiva. e a frequência aumenta. os disparos primordiais. díspares. essenciais. em sequência. a música psicadélica. a dança em volta do fogo. a frequência aumenta. uma eloquência imperceptível. num idioma exótico. mesmerizante.

            /e a morte. adormecendo as extremidades. convergindo para o centro. para a casa dos espíritos. e a toada xamânica cada vez mais ao fundo. a verborreica feitiçaria desvanecendo. o adormecimento. eterno. fecha-se o círculo. o enaltecer dos sentidos. a selva abre-se por fim./

terça-feira, 19 de novembro de 2013

scattered no chão com um toque de gin.
doce e áspero.
gin.
e tu olhas-me com esses olhos.
cio.
dazzling nuances of português suave.
é a vida.
a prostitute na esquina.
crazy little thing called drug.
e o cheiro a éter.
titubeando na calçada.
lingerie de amour.
o cheiro a um passado recente.
rendilhado preto nesses seios pubescentes.
e essa aura beatnik.
esse fumo de cigarette.
dead end.
as sombras de ti.
o tilintar do gelo.
mamilos túrgidos a 35mm.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013



matemo-nos todos. pelo menos até amanhã. pelo menos até a casa se fechar sobre nós. pelo menos até a casa se fechar em nós. matemo-nos. matemo-nos aos poucos. no casulo. a floresta ressoa em uníssono. ecos vãos. de desespero. de loucura falante e cinética. a dor de viver dentro de si próprio. abraçando as paredes brancas. pintadas de branco gutural. de silêncio. o sopro da existência. o frio que entra por debaixo da porta. a infindável solidão em todos os espaços do tempo. em todos os tempos do espaço. o som do acordeão. ranger de dentes. deserto frio. coberto de noite. rajadas ininterruptas. não há esperança de conforto ou calor. mesmo em qualquer outro ponto. por mais longínquo ou próximo que seja. o torpor seco da alma. o marasmo áspero da existência. o horizonte imensurável. esmagador.

/humm... e o que eu daria por um dia no mar... o que eu daria por um dia na costa... onde o mar encontra a terra e o Homem cessa de voar./

segunda-feira, 28 de outubro de 2013



drogávamo-nos sempre em quartos escuros. divisões fechadas. contíguas à loucura. siamesas à esquizofrenia. ao histerismo ontológico. em quartos escuros. iluminados por candeias vazias. tingíamos a alma de verde baço. como o azeite-luz fosca. de meia vida. de meio dia. a meia face. pintávamos sem as caras da morte. em telas brancas. de paz. mascarrávamos tudo de suor. negro. velho. de suor podre. tribalismo. caras brancas de pó. pintadas com crus pigmentos de osso. em todas as esquinas. deambulávamos por metrópoles vazias. à noite. incendiávamos o céu. fogo azul. de alquimias metafísicas. tempo. espaço. ilusões da mente. em bonitos postais. pintados à mão. memórias de passados que não existiram. que estão para existir. em qualquer uma das esquinas da metrópole. entre caras pálidas. e pigmentos de osso. a salvação da alma no prazer da carne. hedonismo divino. de contornos sujos. e quem não precisa de um pastor? quem não precisa de sentir o peso do cajado nas escarificadas e nuas costas de outros tempos? tempos que são o mesmo. onde o cajado nunca vai. apenas volta. corroendo sempre a mesma alma. sempre a mesma ferida. pressionando sempre o mesmo ponto. o sangue escorre. partindo do centro para as extremidades. e a vida escorre. partindo o centro. correndo sempre para a extremidade.


/debaixo de água somos todos puros. debaixo de água todas as almas são limpas. e a água escorre. para a extremidade. como o sangue. como o tempo. sangrando a vida./