domingo, 11 de dezembro de 2011
Acordo num campo de trigo no topo de um monte enquanto o sol nasce, não me lembro de nada. Uma simbiose entre o real e o onírico, um tudo salpicado de nadas. As árvores são violeta, o céu amarelo. Dentro da caixa de pandora, o comum dos mortais sobrevive não mais do que alguns vislumbres. A escuridão passa em gomos à velocidade da luz e trespassa qualquer corpo que esteja no seu caminho. Um guardião biónico guarda a entrada e acompanha quem por ali à noite passa, diz como sente, fala de grandes verdades dogmáticas sem importância alguma. O manifesto surrealista é declamado ao fundo por mil poetas pintores que cantam como anjos de Caravaggio. Giacometti esculpe os habitantes deste universo paralelamente perpendicular, as dimensões mesclam-se, não há perspectiva. É escuro, frio e assustador, não é para os fracos. Os fracos de alma, os fracos de espírito, nem tão pouco para os de fé. O vosso deus não vou preparou para o que aqui acontece e não detém qualquer poder aqui, é outro mero e ridículo ente. Sim, é esse o meu trabalho, ridicularizo divindades, religiões completas, ideologias sólidas. Concepções dentro de concepções, atravessadas por perspectivas labirínticas, vistas de ângulos mortos no topo de objectos impossíveis. Espirais de léxico, serras de palavras, núcleos de ideias. Pensamentos com pernas deambulam por todo o lado e amedrontam quem passa, aqui ninguém está seguro. Figuras amorfes e sinistras que apavoram os monstros do pior imaginável pesadelo. A minha mente...Buh!...
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