segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
E que são essas coisas aí? São putas que dançam tangos. São entes que deambulam pela sala, seres que andam para cima e para baixo no bordel da vida. E não é isso que se quer? Boémia? Hedonismo? A negra verdade de perversão, a morte antropomórfica das putas. É isso que elas são, putas. Galdérias, meretrizes, pegas, rameiras. Mulheres. O circo de aberrações está na cidade e veio para ficar, os bilhetes são grátis e todos têm lugares na fila da frente. O espectáculo é pavoroso e horripilante, mas ninguém desvia o olhar por um segundo que seja. Gostamos destes rituais de morte, de toda esta obscuridade, do sangue a salpicar-nos as caras. Rimo-nos do cheiro a sangue, das nódoas de desgraça na indumentária alheia. E os passos de tango não cessam, a dança infernal de prazer hipnótico. E aqui estou em sentado na poltrona do bordel a ver as putas que dançam tangos e os seus movimentos provocatórios sem objectivo. E quem as pode julgar? É o seu trabalho, dançam, prostituem-se... Não é o que fazemos todos?
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